A oposto Elisângela de Oliveira, 31 anos, segue treinando no Rio de Janeiro para manter a boa forma e assim chegar ao Japão em ótimas condições físicas. Medalhista olímpica em Sidney (2000), Elisângela vai defender a equipe do Hisamitsu no Japão e terá a companhia de Fofinha e Renatinha Colombo na terra do sol nascente. A Jogadora recebeu o Melhor do vôlei e falou um pouco sobre sua vida e seus planos para o futuro nas quadras.Porque você escolheu treinar no Rio de Janeiro antes de seguir para o Japão?
Aqui tenho amigos que considero família, o Bernardo, a Érika. E aonde eu poderia estar treinando neste nível sem maiores compromissos? Lá em São Paulo certamente eu teria que disputar o estadual e talvez não fosse possível seguir tão bem quanto aqui. Todos me receberam muito bem e a comissão pega pesado mesmo nos treinamentos. Estou feliz de estar aqui neste momento. Aqui sou minha dona.
Como ocorreu sua transferência?
Depois da Superliga eu imediatamente manifestei meu desejo de continuar jogando em Brusque, não apenas pela proximidade com Curitiba onde resido, mas também pela comissão técnica pela cidade e pelas pessoas de lá. No entanto não deu para continuar e entre as propostas que recebi a do Japão falou mais alto. Eu já namorava o Japão há alguns anos.
Você chegou a receber propostas de times aqui do Brasil também?
Sim, o Pinheiros fez uma proposta. Porém, não tão vantajosa do ponto de vista financeiro. O Minas, onde eu também queria voltar a jogar, não conseguiu o patrocínio a tempo e eu optei muito bem pelo Japão, eu quis me valorizar pois eu tenho 6 pontos e isso atrapalha, pois os times querem primeiro as jogadoras de seleção. Meu procurador (Rogério Teruo) é o mesmo da Renatinha e da Fofinha, ainda não conversei com elas, mas uma já vai para a terceira temporada e a outra para a segunda, ruim não pode ser mesmo.
Legalmente falando já está tudo acertado?
Sim, alguns detalhes precisavam ser acertados, mas dia 28 de setembro tudo se confirmou e eu fui finalmente liberada. O que me incomodou foi ver que algumas pessoas querem conduzir as coisas como se fossem donos dos atletas e isto não pode acontecer. Pois somos nós os atletas que precisamos estar sempre bem em quadra e na vida, enfim, não podemos correr riscos por conta de comissões, por exemplo.
Não existe de sua parte nenhum medo que aconteça novamente algo como no Santeramo?
Risos... Desta vez eu levo o DIL para não ser pega de surpresa, fique tranquilo. E desta vez a proposta é muito bacana, eles oferecem todo o apoio necessário, antecipam valores para dar tranquilidade, se preocupam antes de mais nada com a individualidade de cada um.
E a família?
O Japão me deu a chance e a segurança de ter ao meu lado minha mãe, minha irmã, meu esposo e filho. Já estou estudando japonês e já conheço a cidade onde vou morar. Estou muito animada.
E quanto a estes novos mercados que surge ano após ano atraindo muitos jogadores brasileiros?
Pois é, recebi proposta da Eslováquia e da Itália. Um é um mercado novo, não sabemos como é, o que tem a oferecer de bom, portanto não fui e na Itália sempre tem o risco do calote. Mas claro que tem exceções e cabe a cada um decidir o melhor. Meu procurador, na ocasião o Assef, me apresentou algumas destas propostas. Sinceramente creio que o correto é priorizar o todo e não apenas o dinheiro. Os atletas devem e precisam ser mais valorizados e ouvidos, hoje em dia muitos procuradores se acham donos dos atletas.
Que campeonatos você disputará ainda este ano aqui no Brasil?
Não irei jogar de forma oficial pelo Rio de Janeiro. Nem mesmo o estadual, e o campeonato de clubes ainda menos, até porque as atletas de seleção já estarão integradas.
Seleção Brasileira.
Sou uma torcedora! Todas nós jogadoras usufruímos da medalha de Ouro que elas nos deram. Eu nunca senti remorso de não estar na seleção, minha vida mudou depois do meu filho, as prioridades são outras, o que me deixa feliz é jogar num bom nível e quero ainda jogar por muitos anos. Eu cheguei cedo demais na seleção dei o meu máximo e me sinto orgulhosa de ter feito parte da seleção brasileira, hoje me pego rindo quando chega alguém e me pergunta por que com trinta anos eu me aposentei. Às vezes as pessoas não entendem que uma jogadora de trinta anos, para algumas posições, já não é peça tão fundamental em se tratando de seleção brasileira.
Fonte: Melhor do Vôlei
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