quarta-feira, 30 de março de 2011

FALTA DE PATROCÍNIO FAZ RAQUEL E ÂNGELA TREINAREM SEPARADAS

Elmer, Andre, Ângela e Tiquim equipe técnica vôlei de praia (Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)
Qual a receita para superar adversárias pentacampeãs mundiais? Vencedoras da etapa de Balneário Camboriú do Circuito Nacional de vôlei de praia após bater Juliana e Larissa na final, Ângela e Raquel poderiam responder que é preciso garra, dedicação nos treinamentos e até sorte. Mas não necessariamente entrosamento. Por um motivo simples: a dupla, que chegou a marcar a data para o fim da parceria, treina separada por uma distância de mais de 1.100 quilômetros.

Raquel, medalha de bronze no vôlei de quadra nas Olimpíadas de 2000, mora no Rio de Janeiro, enquanto Ângela vive em Brasília. Na virada do ano, quando iniciaram a dupla, chegaram a cogitar a mudança de cidade, mas o plano foi abortado pela falta de patrocínio. Manteve-se então o planejamento, cada uma com seu técnico, acertando os detalhes quando se encontravam para as competições. A exceção foi a etapa do Rio de Janeiro, quando Ângela viajou três dias antes do início da disputa para uma rápida série de trabalho conjunto.

- Esse não é o ideal para ninguém. Todo mundo precisa treinar junto com a respectiva parceira. Tínhamos um projeto de um ano, e o plano era esquematizar uma forma de treinarmos juntas: um período ela aqui no Rio, em outro eu em Brasília. Mas sem patrocínio fica difícil se manter em outra cidade – disse Raquel.

Para compensar a falta de treino, as duas apenas conversam, seja por telefone ou pessoalmente. Uma não viu qualquer vídeo da outra, fosse de treino ou jogo. Na capital federal, Ângela pratica com homens, com um fazendo o papel de Raquel em quadra.

- Nós duas apenas havíamos jogado contra. No começo foi difícil para nos ajustarmos, e precisamos nos doar mais. Eu já tinha tido essa experiência de treinar à distância, o que é sempre mais complicado. É como um casamento. É preciso conversar para fazer os ajustes. Quando a pessoa está do seu lado, você vê qual é a dificuldade e é muito mais fácil superá-la. Por mais que façamos todo o necessário, só dá para saber mesmo na competição – contou Ângela.

Dupla repensa separação

A falta de resultados expressivos nas quatro primeiras etapas do Circuito decepcionou as atletas, que decidiram encerrar a parceria após a disputa em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no início de abril. Para o Circuito Mundial, inclusive, cada uma já tinha acertado com uma nova companheira: Ângela disputará o torneio com Priscila Lima, enquanto Raquel jogará com Semiramis.

Mas a conquista em Balneário Camboriú, com direito a duas vitórias disputadíssimas na semifinal e na decisão, sobre duplas apontadas como favoritas, renovou os ânimos das duas. Ainda sem uma definição sobre o futuro, Ângela já considera rever sua posição.

Boa lembrança

Após a conquista em Balneário Camboriú, no dia 20 deste mês, com um ponto de bloqueio selando a vitória por 2 sets a 1 sobre Juliana e Larissa, Raquel lembrou o técnico Bernardinho, atualmente à frente do Rio de Janeiro, na Superliga Feminina, e seu comandante na medalha de bronze brasileira, na quadra, nas Olimpíadas de Sidney, em 2000.

- Ele sempre foi exigente em tudo. Por eu ser grande, uma jogadora de força, ele achava inadmissível não ter um bloqueio eficiente. Fiz muito treinamento extra. Com outros técnicos também. Mas ele era muito enfático, muito perfeccionista. Ele vê o potencial e quer explorar ao máximo. Por isso me lembrei dele quando fechei o jogo. Tomei muita bronca, mas valeu a pena.

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