Toda festa de debutante que se preze é de gala. E com a Superliga Feminina de vôlei não foi diferente. Na temporada 08/09, quando completa seus quinze anos, a competição teve uma final espetacular neste SÁBADO (18.04). Ao invés de príncipe encantado e valsa, campeãs olímpicas deram o tom da festa e o ápice foi o título do Rexona-Ades (RJ), no tie-break (25/22, 21/25, 18/25, 27/25 e 15/12), sobre o Finasa/Osasco (SP), no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. A conquista foi a sexta na história do time carioca, a quarta seguida em cima do adversário paulista.E quis o destino que o número 15 fosse decisivo. A oposto Monique, do Rexona-Ades, saiu do banco de reservas para se consagrar a melhor da partida. Ela, que tinha uma torcida toda especial, confessou que não esperava tamanha importância no título.
“Sinceramente eu não pensava em ser o nome do jogo. Entrei com tranquilidade para ajudar o time e nossa união acabou prevalecendo no final. Outra coisa que me deu força foi a minha irmã, Michelle, que se contundiu nesta temporada. Já passei por isso e sei o quanto ela está sofrendo por estar de fora. Ela foi minha inspiração. Quando pisei na quadra, quis estar 100% para dedicar a vitória a ela”, afirmou Monique, com lágrimas ainda no rosto.
Também bastante emocionada, a líbero Fabi, que havia dito durante a semana de treinos que sofria bastante com a ansiedade pré-decisão, soltou o grito de campeã.
“Quando a última bola caiu, aquelas borboletas no estômago viraram alguma coisa. Mariposas, sei lá. Só sei que coloquei tudo para fora. Esse clássico sempre faz isso com a gente”, disse Fabi.
Depois de passar por momentos difíceis na partida, o time do Rexona-Ades contou com a frieza do técnico Bernardinho para se acalmar e buscar o ouro.
“Quando conseguimos vencer o quarto set, vibramos muito e o Bernardinho nos chamou para focar novamente na partida. Acredito que vencemos pelo fato de termos seguido as instruções dele. Era uma mudança de sentimentos dentro de nós durante a partida, que precisávamos dele sempre nos colocando de volta no jogo”, revela a meio-de-rede Carol Gattaz.
Na mesma levada da companheira, a ponteira Érika e a levantadora Dani Lins também exaltaram o trabalho do treinador do Rexona-Ades.
“Sem duvida o diferencial do nosso time está no banco. Sempre gera polêmica quando falo isso, mas o Bernardo é mesmo o cara. Quando vemos um profissional super bem-sucedido, que já venceu tudo, chegar no treino com mais vontade que a gente, temos que nos entregar 200%”, disse Érika.
“Sabemos que o time do Finasa/Osasco é melhor do que o nosso no papel. Entramos na decisão cientes disso, mas buscamos uma algo a mais em nosso time para superar isso. E o responsável é o Bernardinho”, completou Dani Lins.
Mesmo com tantos créditos, Bernardinho prefere dar os louros da vitória para as jogadoras de seu time.
“Foi uma vitória do espírito de grupo. O vôlei é esporte onde não dá para se ganhar sozinho. Várias jogadoras foram fundamentais nessa conquista. A Érika e a Fabiana foram muito bem no ataque, a Dani Lins teve altos e baixos, mas soube controlar a partida nos momentos importantes, a Carol Gattaz esteve muito bem pelo meio e a Fabizinha foi uma gigante nas defesas e na recepção. Prevaleceu a coletividade. Nunca deixamos de acreditar que poderíamos contar com todas as peças desse grupo. Nas semifinais a Fé Isis e a Amanda entraram na equipe e fizeram a diferença. Hoje, na final, foi a vez da Monique”, finalizou o técnico.
A maior pontuadora da partida foi a oposto Natália, do Finasa/Osasco, com 31 pontos.
O JOGO
No primeiro set, as equipes mostraram que iriam dar tudo pelo título. Rexona-Ades e Finasa/Osasco ‘trocaram’ pontos no placar até que, num bloqueio da meio-de-rede Carol Gattaz o time carioca conseguiu abrir dois pontos: 8/6. No entanto, o equilíbrio continuava e o Finasa/Osasco buscou o empate: 11/11 num ataque da oposto Natália.
Digna de uma final, a parcial continuou equilibrada e acabou mesmo decidida em detalhes. No final do set, quando o placar apontava 22/22, Carol Gattaz voltou a ser decisiva. Com dois pontos da meio-de-rede e um erro do Finasa/Osasco, o Rexona-Ades fechou: 25/22.
A parcial seguinte foi bem diferente. O Finasa/Osasco voltou com uma postura diferente e acabou ‘encurralando’ o Rexona-Ades. Apoiado na força de ataque da oposto Natália e nos bloqueios da meio-de-rede Adenízia, a equipe paulista abriu uma grande diferença no placar desde o início: 8/3.
A grande vantagem foi administrada durante todo o set e chegou a ser ainda maior: 21/14. O Rexona-Ades, que errava muito seus ataques, ainda conseguiu diminuir, mas não o bastante para buscar a vitória: 25/21 para o Finasa/Osasco.
O jogo continuou favorável ao time paulista no terceiro set. Novamente se aproveitando dos erros adversários e com muita força de ataque, o Finasa/Osasco abriu uma boa vantagem 15/10.
Quando o Rexona-Ades mostrou poder de reação, o Finasa/Osasco contou com a precisão da levantadora Carol Albuquerque no saque. A jogadora emplacou quatro aces seguidos e deu uma margem ainda maior para o time paulista: 21/15. A partir daí, o set foi administrado e terminou 25/18 para as paulistas.
O Rexona-Ades voltou mais aplicado e errando menos na quarta parcial e equilibrou o jogo. Após o segundo tempo técnico, o time comandado pelo técnico Bernardinho chegou a abrir quatro pontos de vantagem (20/16), mas foi alcançado e ultrapassado pelo Finasa/Osasco 24/23.
No entanto, a equipe paulista não conseguiu fechar e deu margem para as cariocas levarem a partida para o tie break: 27/25 Rexona-Ades.
A derrota na quarta parcial pareceu não intimidar o Finasa/Osasco. No set decisivo, o time paulista começou arrasador e abriu 4/1. Vendo seu time um pouco perdido em quadra, o técnico Bernardinho pediu tempo e ajustou as peças.
A chamada surtiu efeito e o Rexona-Ades encostou no marcador e, no momento decisivo, passou a frente do adversário, fechando o jogo em 15/12 num ataque da oposto Monique, que viria a ser eleita a melhor em quadra.
EQUIPES
REXONA-ADES – Dani Lins, Joycinha, Carol Gattaz, Fabiana, Érika e Regiane. Líbero: Fabi.
Entraram: Amanda, Monique e Virna.
Técnico: Bernardinho
FINASA/OSASCO – Carol Albuquerque, Natália, Paula Pequeno, Sassá, Adenízia e Thaisa. Líbero – Camila Brait.
Entraram: Suelle, Stephany, Lia e Ana Tiemi
Técnico – Luizomar de Moura
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